domingo, 1 de janeiro de 2012

Um último rito

Não era, absolutamente, nesse contexto que eu imaginava reativar esse blog. Que nem mesmo está totalmente pronto ainda. Mas se há uma coisa que este ano me ensinou, é que não se pode perder tempo. Pra nada. Não há o que se esperar, a vida é urgente e não sabemos o que nos aguarda em seguida, para nos darmos ao luxo da espera.

Adash pretendia passar esse réveillon na praia, já que há anos não íamos ao mar. Então, recusei os convites de amigos e parentes para a virada, fui eu ao mar, realizar um último rito por sua passagem. Fazer a oferenda que ele pretendia fazer à sua mãe Yemanjá.



Chegando lá, encontrei um mar revolto, do jeito que ele mais gostava e sempre aparecia em seus sonhos. Ao entrar no mar, achei lindo ver um cenário de peixes saltitando contra o refluxo a minha volta e gaivotas dando rasantes sobre as ondas sob a luz da lua. Me lembrou muito este quadro, que é lindíssimo e infelizmente não sei o nome do artista.



No barquinho de oferenda, junto às rosas, entreguei ao mar a Princesa de Copas que ele havia desenhado (na oficina da Sarah Helena, na Mystic Fair) e a mesma carta do seu Thoth. Assim como seu perfume e mais algumas coisas dele.


[Princesa de Copas - Thoth Tarot - Crowley-Harris]

Adash amava essa princesa, via nela a expressão da plenitude, da liberdade e fluidez emocional. Dizia ser seu “arquétipo oculto” da corte.

Uma das suas observações sobre a carta do Thoth foi:
“É interessante a forma como a Frieda representou ela caminhando firme sobre as ondas.”



Deste modo, entreguei o filho de volta aos cuidados da mãe. Do ventre da Mãe-Mar ele veio, a este retorna, e leva consigo uma parte de mim.

Nunca simpatizei muito com anos de Oxum, minha mãe, pois me são sempre anos de grande impacto. Perdi minha mãe em um ano assim (2000) e agora o ciclo se repetiu.
Lavei meu pranto nas águas do mar noturno, no meu próprio rito de passagem. Sei que a falta nunca irá passar, a saudade ainda é indizível, mas todo ciclo precisa ter seu fim. Agradeço a sorte de ter tido esses dois capricornianos a meu lado nesses 28 anos de vida.


[Arcano XVIII - A Lua - Ancient Egyptian Tarot - Clive Barrett]

Agora é hora de encerrar o luto e seguir em frente, sozinho. Sim, porque estar sem ele(s), mesmo amando e contando com meus preciosos amigos, é estar sozinho. Por isso, decidi virar o ano assim, sozinho, para vivenciar a minha Lua. Na escuridão da noite, sem estar hospedado em lugar algum, sem nenhuma garantia, contando apenas com o próprio instinto, de fronte às mais inquietantes emoções. Vislumbrando o vai e vem do mar e refletindo, à espera da chegada do Sol.
E quando o primeiro sol de 2012 surgiu, me encontrou a beira-mar, aliviado e reconstituído.
Cantando: “Mãe d’Água, Rainha das Ondas, Sereia do Mar...”



Tenho muito boas impressões sobre este novo ano. Percebo um link muito forte entre Lua-Fortuna-Mar, que publicarei num outro post.
Feliz e abençoado 2012 para nós!




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3 comentários:

Uirá disse...

Muito bonito, muito impactante! Adorei!

Anônimo disse...

Lindissimo Fabiano (bibi)querido...fiquei emocionada com esse texto,que sei,que aflorou dos seus sentimentos mais profundos!vc é um guerreiro!Adash esta feliz por receber assim tanto carinho e amor!e com certeza ele te envia tb seu amor até vc...ana carla cavalheiro

André Kadanr - Tarologia Sistêmica disse...

Meu amigo Adash, ainda não sei ainda o que dizer, sinto sua falta continuamente. Para você Fabiano , o unico que pode dizer e afirmar o quanto essa pessoa é especial, que me cativou em 8 meses como se fosse 10 anos. Adash é para mim a realidade virtual, à segunda vista, realidade simbólica, que só compreendi perfeitamente depois dele. Ainda não sei falar dele, sem sentir.