sábado, 6 de dezembro de 2008

Mulheres & Deusas, o Livro



Rosa Leonor Pedro lançou, em 22 de novembro passado, em Portugal, seu novo livro Mulheres&Deusas, homônimo do já conhecido blog que mantém desde meados de 2001.

Infelizmente, pela mera distância de um oceano, não pude estar presente nesse evento. E, mais infelizmente ainda, o livro ainda não está disponível para compra no Brasil.



Porém, os aclames são muitos! Acredito que em breve, a obra de nossa querida Rosa atravessará o Atlântico.

Enquanto isso, deixo aqui meus parabéns à Rosa Leonor pela nova obra! E também à Editora Ariana pela feliz escolha de publicação!

Beijos, rosas & anseios de lê-la em breve!

E por falar em Bíblia...




A edição de Dezembro da Super Interessante está com a matéria de capa “super interessante”!
O tema é polêmico (assim como qualquer um que tange diretamente à fé da maioria das pessoas), mas a matéria é bastante neutra e está repleta de dados relevantes sobre as “Sagradas” Escrituras.

A Bíblia, Deus & Saramago





Por que eu teria de mudar [a concepção de Deus após a doença]? Porque supostamente me salvou a vida? Quem me salvou foram os médicos e a minha mulher. E Deus se esqueceu de Santa Catarina? Não quero ofender ninguém, mas Deus não existe. Salvo na cabeça das pessoas, onde está o diabo, o mal e o bem. Inventamos Deus porque tínhamos medo de morrer, acreditávamos que talvez houvesse uma segunda vida. Inventamos o inferno, o paraíso e o purgatório. Quando a igreja inventou o pecado, inventou um instrumento de controle, não tanto das almas, porque à igreja não importam as almas, mas dos corpos. O sonho da igreja sempre foi nos transformar em eunucos. A Bíblia foi escrita ao longo de 2.000 anos e não é um livro que se possa deixar nas mãos de um inocente. Só tem maus conselhos, assassinatos, incestos...

(José Saramago, o único prêmio Nobel da literatura em língua portuguesa, em entrevista à Folha de São Paulo, no último dia 28/11.)

Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u472986.shtml

Comentado em: http://rosaleonor.blogspot.com/2008/12/razo-do-homem-sua-cegueira.html


Apesar de não concordar plenamente com as idéias dele, assim também com as do Jabor da última postagem, tenho grande simpatia e respeito por pessoas capazes de pensar por motu proprio.

"Os Homens Desejam As Mulheres Que Não Existem"



Está na moda - muitas mulheres ficam em acrobáticas posições ginecológicas para raspar os pêlos pubianos nos salões de beleza. Ficam penduradas em paus-de-arara e, depois, saem felizes com apenas um canteirinho de cabelos, como um jardinzinho estreito, a vereda indicativa de um desejo inofensivo e não mais as agressivas florestas que podem nos assustar. Parecem uns bigodinhos verticais que (oh, céus!...) me fazem pensar em... Hitler.

Silicone, pêlos dourados, bumbuns malhados, tudo para agradar aos consumidores do mercado sexual. Olho as revistas povoadas de mulheres lindas... e sinto uma leve depressão, me sinto mais só, diante de tanta oferta impossível. Vejo que no Brasil o feminismo se vulgarizou numa liberdade de "objetos", produziu mulheres livres como coisas, livres como produtos perfeitos para o prazer. A concorrência é grande para um mercado com poucos consumidores, pois há muito mais mulher que homens na praça (e-mails indignados virão...) Talvez este artigo seja moralista, talvez as uvas da inveja estejam verdes, mas eu olho as revistas de mulher nua e só vejo paisagens; não vejo pessoas com defeitos, medos. Só vejo meninas oferecendo a doçura total, todas competindo no mercado, em contorções eróticas desesperadas porque não têm mais o que mostrar. Nunca as mulheres foram tão nuas no Brasil; já expuseram o corpo todo, mucosas, vagina, ânus.

O que falta? Órgãos internos? Que querem essas mulheres? Querem acabar com nossos lares? Querem nos humilhar com sua beleza inconquistável? Muitas têm boquinhas tímidas, algumas sugerem um susto de virgens, outras fazem cara de zangadas, ferozes gatas, mas todas nos olham dentro dos olhos como se dissessem: "Venham... eu estou sempre pronta, sempre alegre, sempre excitada, eu independo de carícias, de romance!..."

Sugerem uma mistura de menina com vampira, de doçura com loucura e todas ostentam uma falsa tesão devoradora. Elas querem dinheiro, claro, marido, lugar social, respeito, mas posam como imaginam que os homens as querem.
Ostentam um desejo que não têm e posam como se fossem apenas corpos sem vida interior, de modo a não incomodar com chateações os homens que as consomem.

A pessoa delas não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, frágil, tênue, morando dentro dele.

Mas, que nos prometem essas mulheres virtuais? Um orgasmo infinito? Elas figuram ser odaliscas de um paraíso de mercado, último andar de uma torre que os homens atingiriam depois de suas Ferraris, seus Armanis, ouros e sucesso; elas são o coroamento de um narcisismo yuppie, são as 11 mil virgens de um paraíso para executivos. E o problema continua: como abordar mulheres que parecem paisagens?

Outro dia vi a modelo Daniela Cicarelli na TV. Vocês já viram essa moça? É a coisa mais linda do mundo, tem uma esfuziante simpatia, risonha, democrática, perfeita, a imensa boca rósea, os "olhos de esmeralda nadando em leite" (quem escreveu isso?), cabelos de ouro seco, seios bíblicos, como uma imensa flor de prazeres. Olho-a de minha solidão e me pergunto: "Onde está a Daniela no meio desses tesouros perfeitos?

Onde está ela?" Ela deve ficar perplexa diante da própria beleza, aprisionada em seu destino de sedutora, talvez até com um vago ciúme de seu próprio corpo. Daniela é tão linda que tenho vontade de dizer: "Seja feia..."

Queremos percorrer as mulheres virtuais, visitá-las, mas, como conversar com elas? Com quem? Onde estão elas? Tanta oferta sexual me angustia, me dá a certeza de que nosso sexo é programado por outros, por indústrias masturbatórias, nos provocando desejo para me vender satisfação. É pela dificuldade de realizar esse sonho masculino que essas moças existem, realmente. Elas existem, para além do limbo gráfico das revistas. O contato com elas revela meninas inseguras, ou doces, espertas ou bobas mas, se elas pudessem expressar seus reais desejos, não estariam nas revistas sexy, pois não há mercado para mulheres amando maridos, cozinhando felizes, aspirando por namoros ternos. Nas revistas, são tão perfeitas que parecem dispensar parceiros, estão tão nuas que parecem namoradas de si mesmas. Mas, na verdade, elas querem amar e ser amadas, embora tenham de ralar nos haréns virtuais inventados pelos machos. Elas têm de fingir que não são reais, pois ninguém quer ser real hoje em dia - foi uma decepção quando a Tiazinha se revelou ótima dona de casa na Casa dos Artistas, limpando tudo numa faxina compulsiva.

Infelizmente, é impossível tê-las, porque, na tecnologia da gostosura, elas se artificializam cada vez mais, como carros de luxo se aperfeiçoando a cada ano. A cada mutação erótica, elas ficam mais inatingíveis no mundo real. Por isso, com a crise econômica, o grande sucesso são as meninas belas e saradas, enchendo os sites eróticos da internet ou nas saunas relax for men, essa réplica moderna dos haréns árabes. Essas lindas mulheres são pagas para não existir, pagas para serem um sonho impalpável, pagas para serem uma ilusão. Vi um anúncio de boneca inflável que sintetizava o desejo impossível do homem de mercado: ter mulheres que não existam...
O anúncio tinha o slogan em baixo: "She needs no food nor stupid conversation." Essa é a utopia masculina: satisfação plena sem sofrimento ou realidade.

A democracia de massas, mesclada ao subdesenvolvimento cultural, parece "libertar" as mulheres. Ilusão à toa. A "libertação da mulher" numa sociedade ignorante como a nossa deu nisso: superobjetos se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. A liberdade de mercado produziu um estranho e falso "mercado da liberdade". É isso aí. E ao fechar este texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século 21? Será que fui apenas barrado do baile?


Arnaldo Jabor

Zeitgeist II - Addendum


Muito melhor que o primeiro, este Addendum é mais direto e incisivo ao lançar um olhar sobre o “esqueleto” do nosso sistema político/econômico/social/tecnológico atual.

Não sou adepto das teorias conspiratórias. No entanto, mesmo sendo impossível atestar as fontes de informação, o simples incentivo à reflexão que o documentário provoca faz valer a pena assisti-lo.



sábado, 25 de outubro de 2008

Ritual do Amor - 31 de Outubro





Queremos fazer um convite muito especial a você... Comemorar o dia 31 de outubro sem abóboras ou travessuras, mas ajudando você a alcançar a realização em seus relacionamentos afetivos!

Enquanto no Hemisfério Norte as pessoas comemoram com “travessuras ou gostosuras” o dia 31 de outubro conhecido como Halloween, no auge do outono, aqui no Hemisfério Sul, onde as estações do ano são invertidas, celebramos o momento em que a Natureza renasce da estação cinzenta do Inverno para florescer numa explosão de cores e fertilidade da Primavera! Esta celebração é conhecida como Beltane, momento em que se celebra o Amor, a Beleza e os Relacionamentos.

Por isso, lembrando as tradições dos povos antigos, convidamos você a celebrar conosco o Ritual do Amor no Phoenix!

O que é o Ritual do Amor?

O Ritual do Amor é um momento em que se invocam as energias universais do Amor e toma-se o Elixir do Amor. Tem como objetivo conectar a pessoa com essa freqüência positiva. É voltado àquelas pessoas que desejam encontrar um amor, obter sucesso em seus relacionamentos, melhorar sua auto-estima e alcançar satisfação emocional.

O que é o Elixir do Amor?

A Natureza é rica em propriedades que podem ser usadas para diversos fins. O Elixir do Amor é uma receita antiga, que reúne vários elementos com propriedades ligadas a essa finalidade. Ao tomar o Elixir, a pessoa está carregando em si essas energias potencializadas capazes de atrair o amor e despertar a sua beleza pessoal, equilibrando assim suas emoções e permitindo que ela encontre relacionamentos satisfatórios.

O Ritual do Amor não possui nenhum caráter religioso. É, na verdade um processo terapêutico onde se realiza o encontro da pessoa com o seu próprio Universo Emocional.


Vagas reservadas com antecedência por telefone ou e-mail:
(41) 3079-3590
fabiano@arcanofloral.com


Data: 31 de outubro (sexta-feira)
Horário: das 19h às 21h
Focalizador: Fabiano Medeiros
Entrada: R$ 25,00
Local: Phoenix Espaço Holístico (Rua Fernando Amaro, 727 – Alto da XV)

domingo, 12 de outubro de 2008

O último Matriarcado...





MUSUO UMA SOCIEDADE SEM VIOLÊNCIA

Fica no Sudoeste da China e é uma das últimas sociedades matriarcais.As mulheres são o sexo forte e decidem a vida de todos.O médico e jornalista argentino viveu entre esse povo e da experiência resultou um livro:
*

O REINO DAS MULHERES.*

Em Musuo, mais propriamente na aldeia de Loshui onde viveu, Ricardo Coler encontrou mulheres que são as gestoras e chefes de família, onde não existe casamento, as crianças nunca conhecem o pai e a violência não existe. Esta sociedade onde as mulheres estão no topo da hierarquia é uma das últimas ainda existentes em todo o mundo.

Aqui nenhuma mulher se pode queixar de educação machista, de diferença de oportunidades ou de tratamento desigual. Elas são as únicas proprietárias da casa de família e dos campos e têm a última palavra em todas as decisões. O apelido que usam é o da mãe. São elas que determinam o estilo de vida na aldeia. Aos homens competem trabalhos como a construção de casas.

Mas, apesar de mandarem, as mulheres não valorizam o poder da mesma forma que um homem. O exemplo disso é que “a” chefe da aldeia é um homem. Dizem que eles são mais aptos para funções comunitárias. São questões administrativas que pouco lhes interessam. A figura do chefe carece da importância que tem no Ocidente.(...)


*blogueado de Mulheres&Deusas

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Workshop - Resgate do Feminino Essencial




No workshop Resgate do Feminino Essencial, faremos uma fascinante viagem pela História, questionando idéias e confrontando tabus, sob um ângulo que nos trará revelações surpreendentes!

Este é um convite para todas as pessoas, especialmente às mulheres, que desejam alcançar a plenitude da integração do seu Feminino e a recuperação do seu Poder Pessoal.


PROGRAMAÇÃO COMPLETA

MANHÃ

9:00 - Abertura;
- Crenças x Idéias;
- O Poder das Idéias;
- O Paraíso, a Serpente e a maldição de Eva;
10:15 - (Intervalo)

10:30 - Inquisição, uma manobra política;

- Maquiavel e a divisão das mulheres;
- O temor do Feminino propagado por grandes doutrinadores;
- Padrões negativos remanescentes na atualidade;


12:00 - (Intervalo para o almoço)

TARDE

13:30 - Retornando às origens: o Feminino na Antiguidade;
- 5 mil anos de Matriarcado que a História não conta;
- Da Pré-História até Roma, o Feminino impera;
- Cleópatra, Elizabeth I e as grandes expressões do Poder Feminino;
- Libertando-se de velhos padrões;
- Fazendo as pazes com o ventre;

16:00 - (Intervalo para cofee break)
16:30 - O milagre da Auto-Ajuda e o contato com o hemisfério intuitivo;
- O “poder dos outros”;
- Auto-Estima x Ditadura da Beleza;
- Amor, Romantismo & Relacionamentos Satisfatórios;
- Resgate do Poder Feminino Essencial;
18:00 - Encerramento.


Ministrante: Fabiano Medeiros (Zazyel) é pesquisador do Feminino Sagrado e suas diversas representações. Desde 1996, seu trabalho baseia-se no estudo de mitologias antigas, relacionando-as com conteúdos arquetípicos universais presentes no Tarot e na Astrologia. Buscando promover a compreensão e religação do indivíduo com seu Universo Interior, possibilitando o resgate das capacidades intuitivas e o desenvolvimento pleno dos potenciais individuais. Com esse enfoque, atua realizando grupos de estudo, vivenciais, palestras e cursos.


VAGAS LIMITADAS! FAÇA JÁ SUA INSCRIÇÃO!
Informações: (41) 3079 – 3590


Data: 18/10/2008 - Sábado
Horário: 9 às 18 hs (com intervalo para o almoço)
Investimento: R$ 50,00 (incluso cofee break)
Local: Phoenix Espaço Holístico


Você pode efetuar sua inscrição para o Resgate do Feminino Essencial de duas formas:

1) Efetuando um depósito do valor da inscrição na conta abaixo mencionada, em seguida enviando um e-mail para arcanofloral@arcanofloral.com informando seu Nome Completo, Telefone e a Data do Depósito.

Banco Santander
Agência: 1270
Conta Poupança: 600036483
Em nome de: Fabiano André de Medeiros


OU


2) Pessoalmente no Phoenix Espaço Holístico, de segunda à sexta somente no período da Tarde com Carol.
Endereço: Rua Fernando Amaro, N° 727 - Alto da XV (próximo ao Pollo Shop) - Curitiba - PR
Fone: (41) 3077 - 8397

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

3 Bons e 1 Bomba!


Não poderia dizer que sou cinéfilo, nem perto disso. Mas, com os agitos que minha rotina anda sofrendo, uma recompensadora sessãozinha de cinema ocasionalmente tem sido um ótimo meio de entretenimento do tipo “desligar a mente”.

Com isso, fui ao cinema para assistir o tal do novo Batman - The Dark Knight. Porém, as próximas sessões daquele dia eram as terríveis dubladas. Eu criei horror à filme dublado! Não que eu entenda outras línguas, muito menos que as legendas sejam muito fiéis ao original, mas dublagem é pra matar!

Dada a decepção, vi que estava em cartaz o novo filme da série A Múmia – A Tumba do Imperador Dragão. Dessa vez o cenário era a magnífica China Imperial, e o melhor: legendado! Entrei na sala de cinema com um certo preconceito em mente: será que vai ser bom como os outros?



“Bom” é pouco, está espetacular! Seguindo o mesmo estilo “muita aventura + bastante diversão + pitadas de História no caldo da ficção” dos anteriores, este terceiro juntou elementos fantásticos como a lenda de Shangri-La, o Exército de Terracota e a Grande Muralha numa produção que não deixou nada a desejar em relação ao padrão Egito dos outros.

Ainda assim queria assistir o novo Batman. Consegui pegar uma sessão apropriada num outro dia. E, tal como havia ouvido nos comentários, o filme deveria se chamar “O Coringa”! O filme é bom, a modernização da história do herói sombrio ficou muito boa. Mas o Coringa... ficou bárbaro!



A atuação do Heath Ledger está impecável, ele conseguiu o máximo de um vilão desse estilo: não ser caricato. O Coringa dessa vez está pouco palhaço e muito inteligente, além de visivelmente desequilibrado. Se for mesmo proposto um Oscar póstumo pra ele, será muito merecido.

Antes de começar o filme, passou o trailer do Reino Proibido, reunindo Jet Li e Jackie Chan numa produção que parecia ser fantástica.




Só parecia... fui ver o filme tentando corrigir meu preconceito com Jackie Chan. Afinal, no trailer parecia ser interessante. Saí da sala de cinema substituindo um pré-conceito por um conceito bem formado: filme com Jackie Chan é sempre porcaria! Uma bomba!

Por fim, para sanar o trauma causado por este último, assisti Hellboy II – The Golden Army.




Também fui com o coração na mão, apesar do primeiro ter sido bom, segundo a Lei de Murphy aplicada ao cinema: sempre pode piorar.

Murphy estava errado, o segundo é bem melhor que o primeiro. Uma produção louvável, com uma trama divertida e nem por isso besta, com alguns aspectos que lembram de longe o Shrek, só que vermelho! Além da concepção indizível das criaturas e ambientes, digamos “não normais”.

O Vendedor de Sonhos - Augusto Cury


Faz aproximadamente um mês que estive comprando alguma coisa (que não me recordo o que era) nas Livrarias Curitiba e, na sacola junto com as compras, veio uma espécie de folheto publicitário muito interessante.

Era uma revistinha brochura, com a capa de um livro e no conteúdo havia um capítulo do mesmo, disponibilizado para o público, numa espécie de “amostra grátis”. Achei muito inteligente a estratégia, publicitária e comercialmente falando.


A “amostra” que veio na minha sacola era do último livro de Augusto Cury: O Vendedor de Sonhos - O Chamado.

Eu já havia ouvido falar dele, mas nunca tinha lido nada de sua autoria. Fiquei impressionado! Realmente, o autor faz jus à fama que tem.

Sou um grande admirador dos romancistas, acredito que um romance é capaz de alcançar uma fatia bem mais ampla e diversificada de leitores, assim como a estória exemplifica e ensina tanto, ou até mais, quanto o conteúdo de livros, digamos “didáticos”, de áreas específicas.

Outro dia, passando novamente na livraria, deparei-me com o dito livro à venda, na seção dos “mais vendidos”. Obviamente comprei-o para prosseguir com a leitura.

Achei fantástico! Li-o em 2 dias, somente porque tive que parar para dormir. Um livro que vale a pena ser lido. A abordagem que ele fez sobre a nossa sociedade atual, e a forma como distanciamo-nos gradativamente da nossa Humanidade é digna de um prêmio!

Mas o que mais me surpreendeu foi a abordagem de Augusto Cury sobre as mulheres, e o Feminino por conseqüência.

Como todo livro bom, esse é daqueles que fazem com que o leitor pare para pensar.

Levanta questionamentos, põe paradigmas e tabus em xeque.

E dessa forma, lançando mão do chamado “método socrático”, ele questiona temas como Moda, Beleza e Machismo com uma maestria invejável. Chamando a atenção para o papel expressivo das mulheres inclusive na “intocável e sacrossanta” saga do Cristo.

Haverá uma continuação deste primeiro (O Chamado), enquanto não é lançado, numa rápida pesquisa, descobri que ele escreveu outro livro, dedicado totalmente a esse tema específico: A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres.

O qual devorarei, logo que possível.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

"2008, o Ano da Fortuna"

Seguem fotos da palestra que realizamos no última dia 22, no Phoenix Espaço Holístico:

*Preparativos*

*Mini-Exposição de Arcanos, mostrando a Roda da Fortuna (Arcano X) de diferentes Tarots. Da esquerda para a direita: Tarot Visconti-Sforza, Golden Dawn Tarot, Tarot Rider-Waite, Thoth Tarot de Aleister Crowley, Tarot Egípcio Anádara e Tarot do Amor.*


O conteúdo era longo para um tempo curto, assim tivemos que resumir bastante as idéias. O objetivo era primeiramente introduzir a idéia da Fortuna Romana, sua mitologia e a deturpação de seu significado através do tempo. Passamos então à Hathor, a Deusa do Ano, com sua mitologia e representação das Leis Universais.


Em seguida, Adash trabalhou com os presentes o entendimento da Roda da Fortuna representada no Tarot, a noção dos 7 corpos e da Alma, e as formas pelas quais podemos nos harmonizar com a Lei da Prosperidade.


Para finalizar, cada pessoa presente tirou uma carta do Osho Zen Tarot, buscando saber como cada um reage à Fortuna, e as Leis ligadas ao seu movimento.

domingo, 17 de agosto de 2008

22/08/08 - Palestra: 2008, o Ano da Fortuna!


2º Dia da Cura Holística

O Phoenix Espaço Holístico promove no próximo dia 23 de agosto o 2º Dia da Cura Holística, com o objetivo de difundir os benefícios das terapias complementares como forma de prevenção e tratamento natural dos distúrbios físicos, mentais e espirituais que afetam o ser humano.
Durante um dia inteiro serão oferecidas terapias e aulas a preços simbólicos de R$ 10,00 (por atendimento) e cada participante deverá contribuir com a doação de dois quilos de alimentos não perecíveis que serão doados a entidades assistenciais.
As consultas e aulas devem ser pré-agendadas com antecedência e podem ser feitas desde já pelo telefone (41) 3077-8397 no período da tarde. As vagas são limitadas.

Cada sessão terá meia hora de duração para permitir que mais pessoas tenham oportunidade de desfrutar de uma pequena amostra das terapias e poder dar continuidade ao tratamento posteriormente se assim o desejarem. A única exceção será para consulta de Floral de Bach, que necessitará de dois horários (R$ 20,00) para a correta orientação dos Florais a serem utilizados.
Serão oferecidas mini-consultas de Reiki, Massoterapia Estética e Terapêutica (Drenagem Linfática, Redutora, Relaxante, Sueca, Tui-Ná e Ayurvédica); Tarot; Relaxamento (individual ou em duplas); e orientações de Regressão de Memória, Terapia de Vidas Passadas, Numerologia, Acupuntura e Feng Shui (para quem tiver dúvidas sobre o assunto).

E para abrir esta segunda edição do Dia da Cura Holística, teremos na sexta-feira à noite, dia 22, das 19h às 21h, uma palestra que vai ajudar você a atrair Prosperidade em todas as áreas de sua vida.



2008, o Ano da Fortuna!

Cada período de tempo traz consigo tendências e oportunidades únicas de Progresso e Realização Pessoal para nossas vidas.
Conhecer essas tendências é essencial para quem quer obter o aproveitamento máximo das oportunidades que o ciclo oferece.

Adequando nossas atitudes dessa forma, possuímos a chave para alcançarmos Sucesso em todos os sentidos.
Iniciando a metade final do ano, venha conhecer o caminho de Bem-Estar e Prosperidade que este ciclo lhe reserva!

Programação:

• Tendências e oportunidades em cada ciclo;
• 2008, o ano da Fortuna;
• Hator, a Deusa do ano;
• O giro da Roda;
• O convite do ciclo;
• Em sintonia com a Prosperidade.

Como parte da programação do Dia da Cura, para esta palestra será cobrado o valor de R$10,00 e mais 2 kg de alimentos não-perecíveis que serão doados para entidades assistenciais.

Vagas limitadas! Faça sua inscrição com antecedência!


MINISTRANTES:

Adash (Adriano Silveira) é Tarólogo há 13 anos, direcionando seus estudos do Tarot com ênfase em simbologia, observação arquetípica e influência histórica. Seu trabalho é focado em Autoconhecimento, aliando conceitos que ampliem o espaço intuitivo, de técnicas como Reiki (Vinny Amador), Terapia Floral de Bach (Instituto Bach), Elementos Ritualísticos Herméticos, Xamânicos e do Feminino Sagrado. Atua com o Tarot em atendimentos individuais, e realiza vivências em grupo, cursos, workshops e palestras.

Fabiano Medeiros é pesquisador do Feminino Sagrado e suas diversas representações. Desde 1996, seu trabalho baseia-se no estudo de mitologias antigas, relacionando-as com conteúdos arquetípicos universais presentes no Tarot e na Astrologia. Buscando promover a compreensão e religação do indivíduo com seu Universo Interior, possibilitando o resgate das capacidades intuitivas e o desenvolvimento pleno dos potenciais individuais. Com esse enfoque, atua realizando grupos de estudo, vivenciais, palestras e cursos.


Serviço:

Palestra: 2008, o Ano da Fortuna!
Data: 22 de agosto de 2008
Horário: Das 19h às 21h


Dia da Cura Holística
Data: 23 de agosto de 2008
Horário: Das 8h às 18h


Local: Phoenix Espaço Holístico
Rua Fernando Amaro, 737 – Alto da XV (próximo ao Pollo Shop).
Fone: (41) 3077-8397

domingo, 10 de agosto de 2008

Espiritualidade...galáctica


Particularmente, respeito todas as crenças. Não concordo com muitas, mas respeito-as mesmo assim. Mais especificamente, respeito o direito da pessoa acreditar no que bem lhe convier.
Acho crença algo que não é passível de discussão. Cada pessoa tem as suas, e normalmente tem os seus motivos pessoais para tê-las.
Porém, não posso deixar de observar que “crenças” comportam em si “idéias”, idéias estas que são comumente disseminadas juntamente com a crença. Enquanto a crença é algo que diz respeito ao âmbito do indivíduo somente, a idéia é algo que vai além. Alcança as pessoas à sua volta e a sociedade como um todo.
Acredito que diferente das crenças, as idéias são, sim, passíveis de questionamento. Até porque nós vivemos num mundo guiado por idéias, e basta lançar um olhar sobre a História da humanidade para perceber o quanto algumas idéias podem transformar o cenário do mundo.
Idéias são agentes de mudança e também são a base que forma o caminho que o mundo percorre durante um período específico.



A diferença entre a época da escravatura e agora é basicamente uma: Idéia. Na época da escravatura, tinha-se uma idéia bizarra de racismo, em que os brancos criam que os negros eram inferiores a eles. Essa “idéia de superioridade” era apoiada pelo governo, religião e pela sociedade em geral. E baseado nessa idéia, o “homem branco” escravizou o “homem negro” e levou à cabo os horrores que vemos hoje estampados nos livros de História.
Outras idéias modificaram o cenário geral, trouxeram “abolição” do regime baseado na “idéia racista”. E mesmo tendo isso ocorrido, ainda existem vestígios fortes dessas “idéias de superioridade racial” pipocando na sociedade atual.
As crenças em si são inofensivas, já as idéias que essas crenças disseminam têm um extremo poder.
Por mais que se critiquem os céticos e ateus, eles têm uma característica louvável: são pacíficos!
Nunca ouvi falar que os ateus levantassem-se para travar uma guerra ou promover um massacre a fim de defender uma idéia sua qualquer.



Já os fervorosos crédulos, ergueram muitas vezes na História, e erguem ainda hoje, suas armas contra aqueles que têm idéias diferentes deles.
As pilhas de mortos vitimados por disputas de crenças, sejam religiosas ou nacionalistas, não perdem em nada para as causadas por disputas civis ou políticas.
E tantos outros são os absurdos que vemos sendo cometidos constantemente em nome de idéias geradas pela crença numa “religião X” ou num “deus Y” ou numa “filosofia Z”.
Essas idéias começam insignificantes, proclamadas por crença de um ou dois, e logo se espalham pela massa ganhando uma força imensa.
É a este ponto que me refiro aqui. Que fique claro, respeito às crenças e respeito mais ainda o direito de liberdade de credo do ser humano. Mas não posso deixar de questionar as idéias que vêm associadas a estas crenças.
Como toda pessoa, tenho as minhas crenças particulares, e sou testemunha destas. Respeito muito isso da pessoa ter as suas experiências, e acho que nada poderá ser tão válido do que aquilo que a pessoa experienciar internamente.
Porém, acho terrível ver a disseminação de idéias criada por algumas crenças, principalmente no meio místico/esotérico, que parecem mais afastar a pessoa da sua espiritualidade do que aproximar.
Parece-me, às vezes, que a corrente da Nova Era, está tomando o mesmo rumo errôneo da religião secular. Deixou de cumprir o seu papel de “religare”, para ser só um proliferador de idéias infundadas e, muitas vezes, contrárias à nossa verdadeira natureza.
E todos os dias surgem mais e mais “mestres” e seres “iluminados” entre nós. O que eu acharia maravilhoso, não fosse o fato de, ao conhecer seus “ensinamentos”, deparar-me com uma montanha de idéias incoerentes e nada produtivas.
Pode ser que eu seja crítico demais e crédulo de menos. Não descarto essa possibilidade. Entretanto, sinceramente, não consigo compreender o propósito “elevado” de algumas coisas que leio e ouço por aí.
O último “grito da moda” na mística atual são os movimentos intergalácticos.
Ora, eu acredito na existência de vida inteligente extra-terrena. Considero inclusive um assunto deveras interessante. Não! Eu nunca vi nenhum ET, tampouco algum disco-voador, nem estive em algum outro planeta, nem mesmo canalizei ou tive qualquer tipo de contato telepático/intuitivo com nada disso.
Mas basta conceber por um momento a grandiosidade do Universo, essa infinidade de planetas e estrelas, galáxias e sistemas, para considerar humanismo demais crer na possibilidade de haver vida inteligente só aqui na Terra.
Agora, daí para as missões intergalácticas, mensagens espirituais e profecias mil que andam inundando principalmente o meio virtual, tem uma boa distância.



Encima do Calendário Maia, foram feitas incontáveis predições e profecias sobre uma grande catástrofe, seguida de uma grande evolução para o nosso planeta. Daí em diante, inúmeras mensagens e canalizações de seres do espaço vêm aparecendo com os mais variados conteúdos.
O calendário termina sua contagem em 2012. E que esta é uma época de grandes transformações está claro, e isso nada tem em haver com o resto das galáxias! Não precisamos olhar pro céu para ver isso, basta que observemos a terra, aqui onde estamos.
Há séculos o ser humano vem consumindo os recursos da Natureza de modo desenfreado e sem qualquer responsabilidade. Cada vez procriamos mais, cada vez invadimos mais espaços intocados, cada vez consumimos mais e preservamos menos.
É óbvio que uma “catástrofe” irá ocorrer! “Catástrofe Natural” é o nome que damos ao meio que a Natureza usa para reequilibrar o sistema do planeta.
E isso não é uma “guerra de mundos” nem uma “fatalidade do destino”, é uma resposta quase matemática da Natureza, que nunca foge de suas leis, como a bastante conhecida “ação e reação”.
O planeta não vai terminar, a Natureza não vai se extinguir, Ela sempre se adapta e sobrevive. A raça humana sim, corre um sério risco de extinção. A Natureza é atemporal, nós não.
E nem poderíamos dizer que algo assim seria cruel, afinal, nossas atitudes buscam isso constantemente.



É terrível quando vemos as imagens de uma erupção, desolando cidades inteiras. Realmente horrorosa a destruição. Mas, o que faz uma cidade cheia de habitantes nos pés de um vulcão em atividade regular?! É apenas um exemplo.
Portanto, eu não desacredito do contato que fulano teve com o “comandante intergaláctico”, mas não acredito que a mensagem “cor-de-rosa” de amor e luz vá salvar-nos da destruição.
Se houver uma salvação para essa humanidade, terá de sair dela mesma. Não virá do céu.
Há uma onda frenética sobre o tal “cinturão de fótons”, as Plêiades e etc.
Primeiramente, quem saiu com essa história, ou está falando das Plêiades de uma outra dimensão, diferente da nossa, ou está errado. Pois, aqui na nossa, o cinturão esse não existe!
E, mesmo que existisse, ao invés de benefício, traria um grande problema pro planeta. Imaginem a Terra passando por uma faixa de luz, não teríamos mais a noite! Já pensaram no tamanho do desequilíbrio que isso traria para a Natureza? Imaginem, por exemplo, o que aconteceria com a nossa fauna noturna!



A mesma coisa foi, agora dia 8, a tal “abertura do portal de Órion”. Eu tive uma sexta-feira maravilhosa, mas que nada teve em haver com o portal. Creio eu, que para a maioria das pessoas foi também assim.
Eu li, num desses milhares de e-mails que vinham circulando sobre o assunto, que nesse dia 08/08/08 com a abertura do tal portal, nossos desejos e pensamentos seriam potencializados para até mil vezes mais que o normal. Que desgraça!
Com exceção da meia dúzia que estaria projetando “amor e luz” para o mundo, já pensaram no horror que seria a potencialização dos bilhões de mentes alienadas do planeta nesse dia?
Como eu disse antes, eu acredito na existência de outras civilizações fora do nosso sistema, creio da possibilidade de haver até algum tipo de contato e, quem sabe, convivência e tudo mais.
Mas não deixo de ver nessa “crença na ajuda intergaláctica”, uma manobra extremamente nociva, disseminando uma idéia que novamente joga as pessoas para esperar uma salvação que virá do céu, ao invés de voltá-las para seus interiores, para o entendimento de suas naturezas, para o trabalho real de suas consciências.
Não me parece viável, que nos tornemos criaturas de “paz e luz”, simplesmente negando nossos aspectos sombrios, sem entendê-los e lapidá-los.
Mas, repito: é a minha crença. Respeito todas as outras. Apenas vou sempre questionar as idéias inclusas nestas.

sábado, 9 de agosto de 2008





Muitas vezes, em meio ao status variabilis quotidianum de nossas vidas mortais, regidas pela rotina do relógio e do calendário, perdemos o contato com a Alma e ficamos perdidos na montanha russa do dia-a-dia.

Somos “ocidentalmente” educados assim: para fora e para os outros.
Responsabilidade, na nossa educação, é você cumprir todos os seus compromissos com as outras pessoas, família, trabalho, amigos, etc.

E você?

Depois... por último.

“Depois que tudo estiver resolvido vou fazer aquilo”... é o que dizemos.

Mas, “tudo estar resolvido” é algo que nunca ocorre. E assim as pessoas vão tornando suas vidas cada vez mais mecânicas e rotineiras.

Porque no meio dessa “luta” cotidiana existe uma pessoa que nunca é atendida: a própria pessoa!

Um dos conceitos mais revolucionários que conheci sobre Autoconhecimento foi o conceito de Alma, Eu Superior, Eu Interior ou seja lá o nome que demos.

É esse alguém, que existe aí dentro de você, que nasceu junto e permanecerá junto com você em todos os momentos de sua vida e depois dela ainda.

Esse Ente poderosíssimo que faz com que você não seja só um monte de carne e ossos.

Nós nos perdemos no modo como somos educados, nas convenções da sociedade, na religião, e em todas as normas e padrões que “temos que” seguir e cumprir.

E vamos deixando de ouvir a única pessoa que deveria realmente ser escutada à respeito da sua vida: VOCÊ!

VOCÊ acorda todos os dias com você, VOCÊ passa as 24 horas seguidas com você. VOCÊ agüenta as suas crises. VOCÊ é a única pessoa no mundo que pode fazer algo de útil por você.

No entanto, mesmo convivendo todos os dias com essa inefável verdade que diz: “nascemos sozinhos e morreremos sozinhos”, preferimos colocar todo o resto como sendo mais importante que EU.

Entender o conceito da Alma, é entender o real sentido da idéia da Individualidade.

É entender que VOCÊ é único e especial, principalmente para você mesmo.

Eu vi (acho que no blogue da Nana) o trecho de uma palestra, proferida sobre a Nova Era, onde o palestrante iniciava com uma abordagem fantástica:

“Sua Alma Gêmea não existe, é VOCÊ mesmo!”

Há alguns anos atrás, com o advento da Nova Era, a “moda” do Esoterismo vestiu o amor romântico de espiritual com a história essa da Alma Gêmea.
Livros e mais livros saíam falando do assunto, devorados pelo público ávido de encontrar um amor, uma Alma Gêmea, um alguém que lhes suprisse as necessidades que não foram ensinados a receber de si mesmos.

Mas, não adianta.

O único relacionamento perfeito que pode existir é de VOCÊ com VOCÊ. Você (pessoa) com sua Alma (Ente). Se houver um exterior, com certeza será reflexo desse.

Então, como você se relaciona com VOCÊ?

O que você tem feito por VOCÊ ultimamente?

O que você fez de bom pra VOCÊ na sua vida?

Quais são as vontades que VOCÊ tem, mas que você não se permite saciar?

Quanto tempo você dá para VOCÊ?

VOCÊ é a pessoa mais importante e mais interessante da sua vida.
VOCÊ tudo sabe,tudo vê, tudo pode.
VOCÊ sabe exatamente onde estão e como se conseguem as coisas que deixarão você feliz.

E a única coisa que você precisa fazer nessa vida, é seguir as vontades que VOCÊ tem. O resto todo é bobagem, não lhe levará a lugar nenhum, só para mais longe de VOCÊ.

No Ano da Fortuna, você é convidado a se encontrar com VOCÊ.

VOCÊ aí dentro é totalmente diferente de você aqui fora.
VOCÊ aí dentro não tem medo de nada, está pronto e aberto para tudo, não se importa com que os outros pensam ou falam, é pleno de confiança em si mesmo, tem todo o potencial do Universo em si para realizar o que quer.

Já você aqui fora...

Para exemplificar, vamos usar o Arcano X, A Roda da Fortuna, carta de 2008:

Arcano X (Tarot Thot-Crowley)

Como já falamos no começo, a Fortuna é a representação da constante transformação e movimento perpétuo do Universo.

Nada no Universo está parado. Tudo se movimenta, o tempo todo.

E toda a idéia de estagnação que temos é ilusória. Mesmo que a sua casa esteja há anos parada na mesma rua, ou que seus móveis não saiam sozinhos do lugar, a Terra está girando todo o tempo, ela nunca pára.

Mudança é a única constância verdadeira.

Mas como você vê mudança? Como é mudar para você?

Muitos de nós temos sérios problemas em mudar. Levamos vidas inteiras escravizadas por dogmas e paradigmas que não ousamos mudar jamais. Insistimos em buscar alguma segurança em nossas vidas físicas, e alimentamos medos internos enormes que nos fazem tremer mediante a idéia da imprevisibilidade da vida, a Fortuna.

No entanto, existe um único ponto imutável na Roda: o centro.

O sobe desce da beirada da roda lhe apavora, por um único motivo: você está longe de VOCÊ.
Pois, VOCÊ está no centro da Roda e lá não existe queda nem ascensão. Existe apenas a estabilidade da mudança constante do Centramento.

Minha devoção por Hathor, a Fortuna do Egito Antigo, vêm desde que vi uma figura Sua pela primeira vez.



Escolhi-A quando resolvi fazer uma tatuagem, reverenciei-A sempre, mas jamais imaginara quão interessantes seriam as experiências que o Seu ano traria.

Uma dos enunciados básicos que a Roda da Fortuna evoca é: mudança.

Mudar é preciso.
Mudar é bom.
Mudar faz bem.

Quando nos tornamos pessoas extremamente “padronizadas”, estamos nos fechando para o novo. Normalmente tememos o novo por ele ser desconhecido, e assim, incerto.

Porém, VOCÊ é cheio de curiosidades. Tem uma lista enorme de coisas que gostaria de experienciar, coisas novas, coisas que mudariam você e sua vida para melhor.

Mas você não dá vazão à isso, porque isso exige mudança, e a sua vida “cheia de compromissos e responsabilidades” não tem espaço para VOCÊ.

Acho que você está esquecendo de um detalhe fundamental: qual é o sentido da sua vida senão satisfazer VOCÊ?

É muito comum ouvir as pessoas reclamarem de suas vidas. Descontentes elas dizem querer que suas vidas sejam diferentes. Entretanto, elas pensam, sentem e agem exatamente do mesmo jeito... como a vida delas poderá ser diferente?

Se você continuar fazendo o que sempre fez, irá alcançar sempre o mesmo resultado!

Então, permita-se mudar! Abra-se para esse desconhecido VOCÊ!

Desenvolva o seu relacionamento com VOCÊ.

O que fazer? Não me pergunte, a resposta só VOCÊ sabe! Pergunte a si mesmo.

Quando VOCÊ quiser algo, faça! Não espere nem tema, não há dúvida que tudo que você fizer por e pra VOCÊ valerá a pena!

Existem muitas atividades que você pode usar para dar-se um tempo com VOCÊ. O blogue da Nana (www.lealdadefeminina.blogspot.com) está dando um show de idéias nesse sentido.

Descubra aonde mora o prazer em VOCÊ.

Descubra o quanto VOCÊ é capaz, interessante, inteligente, amoroso, próspero, destemido, centrado, harmônico, livre e ousado!

Como eu já disse: Fortes fortuna adiuvat, ou simplesmente, “ao ousado, a Fortuna estende a mão”!

Arcano 0 (Tarot Thot-Crowley)

Acredito que o arcano do Louco no Tarot é o melhor retrato da Alma, ele é o zero, ou o não-numerado.
Está em tudo e está a parte de tudo.
É todos e é nenhum.
Único, ímpar, próprio, original, só é definível por ele mesmo: o Louco.

Da mesma forma que a Alma também é muitas coisas, mas é somente Ela, única e indivisível, definível somente por Ela mesma: a Alma.

O Louco é aquele que desconhece o medo e o perigo, está inebriado na alegria de viver, tem a pureza da criança, todos os potenciais lhe são realizáveis e ele salta no “Abismo do Desconhecido” sem temor algum, com olhos arregalados de curiosidade, apaixonado pelo novo, confiando apenas em seu coração.

Não sou fã de Raul Seixas, mas em um desses dias recentes de correria, ao ir jantar num restaurante, ouvi na voz de Zé Ramalho, o quanto o compositor foi feliz em expressar a Alma/Louco em:

“Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
...
Eu quero dizer
Agora o oposto
Do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
...
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu
Nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator...

É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante”

Flores de Gratidão


Sempre gostei muito de plantas e flores, apesar de não ter uma “mão boa” para cultivá-las.

Morar em apartamento, entre muitas vantagens, traz a desvantagem de ter que resumir o jardim em alguns poucos vasos. Mas ainda assim, não consigo ficar sem elas!

Mediante essas limitações, tornei-me simpático às violetas e orquídeas. Não só por serem belíssimas, mas também pela sua grande adaptabilidade à ambientes internos.

O problema é que, acabei descobrindo que meu excelentíssimo gato, o Calvin, também adora as flores, com uma sutil diferença: eu gosto de cultivá-las e ele gosta de arrancar as flores das plantas e ficar jogando e perseguindo elas pela casa!

Com esse hábito peculiar dos travessos felinos, meu filho destruiu algumas violetas e mutilou uma orquídea amarela, que eu estou tentando recuperar num outro cômodo, longe do alcance dele.



Aí, eu fui repor a falta dela com outra. Tratei de escolher uma maior e mais robusta: uma orquídea terrestre. Com menos fragilidades que a anterior, daquelas que se cultivam em xaxim ou em troncos de árvores.

Porém, o gato apaixonou-se por essa também!

Foi aí que eu descobri um meio de se conciliar gatos e flores num mesmo ambiente: vinagre!

Eu já sabia que o odor do vinagre afasta os gatos que têm aversão ao cheiro. Mas temia que, por ser um líquido de alta fermentação, prejudicasse as plantas.

Recorrendo ao “santo Google” descobri em sites de orquidários que ocorre exatamente o oposto: o vinagre faz bem para as plantas! Além de afastar gatinhos travessos, uma colher de chá de vinagre e outra de açúcar, diluídas em um litro d’água e borrifada sobre as plantas, elimina insetos/fungos e outros probleminhas que causam doenças ou prejudicam o bom desenvolvimento delas.

Ou seja, dica de inutilidade pública: o vinagre “limpa” as plantas!

E assim, posso vê-las todos os dias abrindo suas flores exuberantes para a luz do dia.

Quando olho para uma flor, ou uma planta florida, imediatamente tenho a impressão da Gratitude.

Gratitude, ou simplesmente Gratidão, é um exercício muito valioso, intimamente ligado à positivação e à Prosperidade.



Recentemente foi popularizado pelo “O Segredo” (The Secret), onde explicaram os grandes benefícios de se exercitar a Gratitude.

Quando agradecemos por algo, estamos afirmando internamente inúmeras coisas boas.

Estamos dizendo que aquilo pelo que agradecemos é bom.
Que estamos prontos para receber mais.
Que aquilo nos traz felicidade.
Que somos prósperos por termos o que agradecer.
Que podemos ter mais e melhor daquilo.
E assim por diante.

Independente do quê se está agradecendo, ser grato faz com que sejamos inundados por um sentimento de Felicidade e de Abundância. E esse estado por si só cria um fluxo positivo pra nós em retorno.

Ok, mas o que tem as flores, o vinagre e o gato com isso? Tudo!

Se observarmos a Natureza, procurarmos entender o seu funcionamento, perceberemos que assim como muitas outras Leis, a Gratitude é inerente à Natureza.



É isso que percebo cada vez que vejo uma flor desabrochada. Me dá a impressão que as flores são o “obrigado” da planta, que abre seus braços/pétalas para a luz do sol, assim como que em agradecimento às condições que a Natureza lhe deu para viver e se desenvolver bem.

A Natureza é um sistema perfeito, com o qual nós humanos ainda aprendemos muito pouco. É um sistema onde existe um fluxo constante de troca: oportunidade e benefícios. Do mesmo jeito que uma árvore se desenvolve à partir da fertilidade do terreno onde está plantada, com a água e a luz que lhe é oferecida, a árvore manifesta sua Gratitude na forma de seus frutos que vão amadurecer e servir de alimento para outros seres, ou ainda gerar outras árvores, num sistema de troca que mantém o sistema possível e estável.

Quanto mais profunda for a nossa observação, mais clara será a visão que teremos das Leis Naturais da Prosperidade, Harmonia, Equilíbrio e Gratitude regendo a vida natural.

Por isso, é sempre positivo, ter próximos a nós seres “não-humanos” que nos lembrem constantemente que fazemos parte da Natureza, e que também precisamos respeitar Suas leis, para sermos preservados por Ela!


Passadas duas semanas, volto eu a postar aqui...

Tenho muita admiração pela disposição e regularidade com a qual pessoas como a Rosa Leonor e a Nana Odara atualizam seus blogues. Pois apesar de não postar nada no meu, acompanho estes sempre.

Acho que ficaria egoísticamente revoltado se elas tivessem um ritmo instável como o meu!

Mesmo tendo passado os últimos dias numa frenética correria, não poderia dizer que não tivera tempo disponível. Mas aí mora o limite entre “compromisso/dedicação” e “obrigação”.

Tenho uma resistência natural a tudo que me soe como obrigação. Aquela coisa que você deixa de fazer por prazer ou gosto e passa a “ter que” fazer.

No entanto, ocorreram coisas muito interessantes neste período, sobre as quais eu quero postar aqui, assim sem pressa, no ritmo d’O Louco que sou.



Há pouco, dei-me o prazer de um chá. Um semi-ritual de Chadô, preparado e ofertado de Mim para Eu Mesmo.

É o que eu costumo chamar de “sentar para tomar um chá com a minha Alma”.

Encontrei o Chadô (pronuncia-se tchádô), “Caminho do Chá” ou “Cerimônia do Chá”, há alguns anos atrás. Fiquei encantado, mas nunca cheguei a estudá-lo ou praticá-lo a rigor.

Até onde minha rápida pesquisa sobre o assunto me trouxe, o Chadô tem origem nos monges Zen da China. Eles tinham um rito de meditação que consistia em parar, interna e externamente, para tomar um chá, só e simplesmente, um breve momento de relaxamento e reflexão embalado pelos vapores etéreos e perfumados de seu chá.



Mais tarde o Chadô foi popularizado no Japão, mais como uma cerimônia social da etiqueta japonesa do que como rito. Porém, ainda preservou seu caráter meditativo no meticuloso processo de preparação, onde o anfitrião precisa providenciar tudo de forma impecável, a fim de receber seus convidados para uma Cerimônia do Chá.

De vez em quando recorro ao chá, para buscar um pouco de centramento, geralmente em épocas de mudança como a de agora.

Afinal, mudar é preciso. Tirar um tempo pra você também. Mas isso já é assunto pra outros posts!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Digno de reprodução!



Estava eu aqui passeando pelo fantástico mundo da blogosfera quando, casualmente, me deparei com o blog de Alexey Dodsworth, o Devir (http://devir.wordpress.com/) em um artigo interessantíssimo que reproduzo na íntegra em seguida.
Acho fantástico esse questionamento sobre o machismo totalitário que vêm permeando o meio gay atualmente.
Vale a pena ser lido, e portanto é Digno de Reprodução!
Apreciem!

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MILITÂNCIA E ATIVISMO - A problemática homossexual em Foucault, Deleuze e Veyne
INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo estabelecer uma série de desconstruções acerca da assim chamada “militância gay”, navegando pelos cenários de outras problemáticas homossexuais, a partir da análise de reportagens correlatas à luz dos olhares de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Paul Veyne.

Consideramos, dadas as claras interseções entre estes pensadores, mais frutífero elaborar um texto cujas letras navegam de um pensador para o outro, ao invés de estabelecer uma divisão dos olhares.

Serão consideradas duas notícias específicas: uma sobre um crime de homofobia e outra sobre a ação de organizações gay-militantes. A primeira reportagem, sobre homofobia de fato, serve como contraste para a segunda, onde a mesma acusação criminosa é levantada por grupos militantes, a partir de atos totalmente diferentes. Consideramos necessária a apresentação das duas reportagens, ao invés de apenas uma, justamente pela implicação do contraste que uma causa na outra, e é através deste contraste que nossas considerações encontrarão mais nitidez diante dos três olhares evocados.

ANEXO - REPORTAGENS



REPORTAGEM 1: CRIME DE HOMOFOBIA

Reportagem retirada do site www.uol.mixbrasil.com.br, datada de 23 de março de 2007.

“Tudo indica que pelo menos um dos agressores de Alessandro Araújo está em prisão provisória.

Nesse dia 23 de março, o Mix foi chamado a uma coletiva com a delegada Margarette Barreto, no DECRADI – Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. O chamado foi uma espécie de prestação de contas da polícia com a comunidade GLBT, que está irritada com os ataques que ocorrem cada vez mais e ficam cada vez mais violentos.
Segundo a delegada, um amigo da vítima Alessandro Araújo, professor universitário que foi brutalmente espancado, reconheceu através de fotos de um banco de dados de suspeitos, um dos agressores. Através desse agressor, que tudo indica ser o líder da gangue auto-intitulada Devastação Punk, a polícia foi levada a mais quatro pessoas, todos maiores de idade, entre eles uma mulher de 26 anos. Vale lembrar que dentre os agressores de Alessandro, havia duas mulheres.”



REPORTAGEM 2: ENXURRADA DE DENÚNCIAS

Reportagem retirada do site www.uol.mixbrasil.com.br, datada de 29 de julho de 2005.

“Quem acompanha o movimento GLBT no Brasil percebe que há uma série de processos ou ameaças de entrar na Justiça contra os mais diversos agentes sociais. De Maurício de Souza a Hebe Camargo, passando pelas novelas “A Lua Me Disse” e “América”, por supostas agressões à comunidade GLBT.

É o caso do autor de novelas Miguel Falabella, que em “A Lua me disse” incluiu dois personagens caricatos. Luiz Mott, do Grupo Gay da Bahia, conta que morreu de vergonha quando a família de seu namorado assistia à novela e “apareceram as bichas velhas, desmunhecando, fazendo tiranias e baixarias”. “Essa é a imagem que o povo tem da gente, e lutamos para que nos vejam como somos, homens que gostam de homens e não malucas desvairadas caricatas”. Acusado de “fundamentalista”, por querer processar o autor de televisão, Mott responde perguntando: “Defender nossa dignidade é fundamentalismo GLBT?”

(…) A fofíssima Hebe Camargo também está sendo alvo de grupos que querem processá-la porque, em um programa do SBT, ela disse que todo bissexual é mentiroso. A declaração foi contextualizada em uma discussão na qual questionava-se se seria possível desejar, indistintamente, homens e mulheres. Essa dúvida está presente também entre vários membros da comunidade GLBT, mas os militantes afirmam que uma pessoa pública como Hebe Camargo tem de vigiar o que diz.”



PODERIO MASCULINO E DISCURSOS NORMATIVOS: ONDE ESTÁ A TOLERÂNCIA?

A partir das perspectivas assimiladas ao longo da obra foucaultiana, podemos dizer que ninguém “nasce” homem, mas sim que todos nos tornamos homens, numa busca constante. A dita virilidade masculina representa o investimento numa rede relacional: busca-se o reconhecimento da masculinidade. Esta virilidade é uma ética, uma constante inquietude de si. Ao contrário do que pregam alguns militantes gays, o sexo não nasce feito, e por isso mesmo é que temos que fazê-lo. Nem mesmo “nasce-se gay”, na medida em que a identidade homossexual, como toda e qualquer identidade humana, demanda contínua construção, desconstrução, reconstrução. Dizer que “fazemos sexo” é mais do que um simples jogo de palavras: enquanto um se faz homem, o outro se faz mulher ou, melhor dizendo, o sujeito se faz homem fazendo do outro uma mulher, tornando-se “outro do outro”. É importante salientar que, se o sexo é definido como uma divisão entre gêneros, todo sexo e toda sexualidade é heterossexual, no sentido de que “hetero” significa “diferente”, ou seja, todo relacionamento sexual entabulado com um ser diferente de mim, seja ele um homem ou uma mulher, será hetero, pois o sujeito se faz homem na medida em que faz do outro uma “mulher”. Essa divisão, existente no imaginário masculino, está longe de ser igualitária, ao contrário, é hierarquizada. Através do ato sexual, os sujeitos são inscritos numa hierarquia determinada, territórios são demarcados, corpos e sujeitos são heterossexualizados: eu sou o homem, você é a mulher. A partir das descrições históricas de Veyne, ao relatar os hábitos sexuais dos antigos gregos, podemos afirmar que até mesmo as ditas relações “homo” da antiguidade estão longe de serem relações entre iguais. Elas são heterossexuais, na medida em que o homem mais velho, o erastes, exercia sobre o efebo impúbere, ou eromenos, um poder, e uma hierarquia era estabelecida. Uma relação “homo”, na antiguidade ou na modernidade, envolveria dois sujeitos que fossem considerados iguais (sejam eles machos ou fêmeas), sem hierarquias de subjugador e subjugado. Seria isso possível, ou mesmo real, no chamado “mundo gay”? Para responder a esta pergunta, julgamos necessário antes navegar em outros oceanos reflexivos.

A busca do falo decorre justamente do medo de ser o outro, de ser feminino, de ser chamado de “mulherzinha”, de “bicha”. Para não se colocar no “lugar da mulher”, o homem precisa fazer dos outros mulheres. Isto é profundamente irônico, pois, a princípio, em teoria ser gay deveria ser uma maneira de fugir da heteronormatividade, mas não é isso o que vemos na prática. Os ditos “meios gays”, sejam eles físicos (boates) ou virtuais (sites gays ou salas de bate-papo), se constroem como um campo onde ainda se tenta afirmar uma hipermasculinidade. Sobretudo em meios virtuais, uma linguagem específica, supermasculina, é evocada, numa espécie de luta agonizante de “vamos ver quem é mais homem”. Antes de uma tentativa de desconstruir a hipermasculinidade e lutar contra ela, já que é ela que causa a homofobia e a misoginia, as pessoas que mantêm envolvimentos homoeróticos, pelo menos a maioria delas, para serem “aceitas”, têm tentado se encaixar na moral da hipermasculinidade.

Ao que parece, o discurso heteronormativo, esta assim chamada “matriz hegemônica de inteligibilidade”, tem o poder de penetrar até mesmo o universo gay, atravessando todas as relações e adequando tudo o que encontra a uma lógica hegemônica. A mesma misoginia que cria o discurso homofóbico sobrevive nessa divisão tão solidamente estruturada por discursos culturais dentro dos guetos gays, criando até nos relacionamentos mais íntimos barreiras identitárias poderosíssimas. A intolerância, pretensamente apontada pelos militantes gays no que eles chamam de “totalitarismo heteronormativo”, parece ser uma pálida sombra se comparada à intolerância que subjaz aos próprios grupos militantes sob os mais diversos aspectos que serão expostos ao longo deste trabalho, a partir de algumas perguntas-chave: existe, de fato, um exemplo de tolerância? Houve tal exemplo em algum momento da história humana que poderia ser seguido como um modelo? E o que Foucault, Deleuze e Veyne pensam a respeito de seguir modelos históricos passados, conforme propõem alguns militantes?



O RETORNO AOS GREGOS


É assaz comum, no que concerne aos argumentos dos militantes gays acerca da homossexualidade, referir-se (ingenuamente) à antiga Grécia como um exemplo espetacular de civilização tolerante para com a prática homoerótica, considerando a civilização judaico-cristã como “atrasada” em relação à realidade homossexual. A partir desta comparação histórica, evoca-se a idéia de um relativismo moral e questionam-se as bases do preconceito moderno. Todavia, os militantes parecem convenientemente esquecer (ou talvez ignorem de fato) que, no que tange à antiga Grécia, temos interdições tão claras quanto as interdições atuais, muito embora sejam interdições diferentes. Conforme discorre Foucault ao longo da sua obra, não é interessante tomarmos outra época como um modelo, pois não há um valor exemplar em um período que não seja o nosso próprio. Deleuze valida esta afirmação, ao sustentar em sua obra Conversações, nas páginas 141-142, que Foucault detestava retornos: falamos do que vivemos. A história não diz o que somos, não estabelece a nossa identidade, diz apenas aquilo que estamos em vias de diferir. Paul Veyne emite um pensamento similar em O Último Foucault e sua Moral, ao dizer que o que se opõe ao tempo, assim como à eternidade, é a nossa atualidade. Fazer uma “arqueologia gay” não é necessariamente voltar-se para o passado. Deleuze aponta em Conversações (p.120) para uma arqueologia do presente, em que tomamos as coisas para extrair delas as suas visibilidades. Não se trata, em absoluto, de procurar um modelo dito ideal que sirva como norma moral para os gays, mas – retomando Nietzsche - descobrir como a operação artística da vontade de potência permite a invenção de novas possibilidades de vida: um “ser gay” que se constrói, se inventa, um “ser” enquanto verbo atuante em nosso tempo, jamais como substantivo-modelo de uma época passada.

Deste modo, respondemos desde já a pergunta explicitada nos parágrafos anteriores: não, segundo Foucault, Deleuze e Veyne, não se trata de seguir um modelo, muito menos um modelo grego antigo, mas de criar um modo de vida gay que admita a pluralidade, um modo que se recrie continuamente, de forma integra e autocrítica, buscando maneiras de sabotar qualquer espécie de normatividade. Vale ressaltar que Foucault jamais apresenta uma resposta, uma solução, nem aponta um caminho que possa ser considerado como “certo” para as problemáticas gays. Esta resposta cada um deve encontrar por si mesmo, num ativismo pessoal numa militância do sujeito. Até mesmo porque, de acordo com o olhar foucaultiano, não existe escolha certa, e sim uma escolha entre perigos, onde devemos buscar dos males o menor. Sim, Foucault é pessimista em sua visão, mas jamais apático. Seu pessimismo deriva da consciência de que toda escolha é perigosa, e acarreta em efeitos colaterais inevitáveis. Não existe “caminho melhor” e “caminho pior”, para Foucault, e sim caminhos com problemas diferentes, com perigos diferentes, em que o perigo principal deve ser identificado.



HOMOFOBIA: UMA PALAVRA DE PODER


Chama-nos também a atenção a apropriação, por parte das militâncias gays, de termos que são usados com o evidente intuito de exercer poder, de subjugar. “Homofobia” é um bom exemplo moderno. Este termo foi introduzido pelo psiquiatra George Weinberg, no livro “Society and the Healthy Homosexual” (New York, St, Martin’s Press, 1972) para designar o complexo emocional que, no seu entender, seria a causa da violência criminosa contra homossexuais. Observamos, contudo, uma apropriação deste termo pelas militâncias gays, que passaram a acusar de “homofobia” uma série de fatos, atos e discursos de uma maneira exagerada que nos faz pensar: não seria, na verdade, uma forma de demonstrar poder? Uma forma clara de tentar intimidar todos aqueles que pensam diferente destes militantes? À luz do que estudamos sobre relações de poder em Foucault e Deleuze, ousamos dizer que sim.

No livro “A History of Homophobia“, o ensaísta Rictor Norton, um apologista da homossexualidade, é bem franco sob esse aspecto: “Com muita freqüência, a palavra ‘homofobia’ é apenas uma metáfora política usada para punir.”. Sob este ponto de vista, o exagero é evidenciado quando os militantes acusam de “homofobia” toda e qualquer pessoa que não pregue a cartilha da militância e repita, tal qual foi determinado pelo alto comando das ONGs e instituições, o que pode e o que não pode ser expresso como opinião a respeito da vida homossexual.

Usar o mesmo termo (“homofobia”) para definir um skinhead espancador de homossexuais e uma pessoa que diz ser contra o casamento gay por motivos religiosos parece ser uma forma injusta de nivelamento, e mais que isso: uma tentativa explícita de censurar a opinião das pessoas. Quando Hebe Camargo é chamada de “homofóbica” por duvidar da existência de bissexuais, conforme evidenciado na segunda reportagem que norteia este trabalho, cria-se um valor de equivalência entre o ato da apresentadora e o ato dos criminosos que espancaram o professor universitário homossexual Alessandro Araújo (notícia evidenciada na primeira reportagem). E mais: quando se acusa de “homofobia” cada objeção à lei “anti-homofóbica”, é claro e transparente que a divergência em si já está criminalizada, antes mesmo que a proposta se consagre em lei. Isso é totalitarismo no sentido mais literal do termo. De onde nos permitimos pensar: a militância gay luta efetivamente pelos direitos dos homossexuais, ou não passa de uma forma de exercer poder e ditar regras? Não seria a militância gay apenas mais uma fórmula ideológica e projeto de poder? Para Veyne, por exemplo, segundo Yolanda Gloria Gamboa Muñoz em Escolher a Montanha (p.41) a ideologia é um estilo nobre, porém vago, que idealiza as práticas, dissimulando os contornos das práticas reais: o que se faz e o que se diz. Conforme cita Muñoz a respeito de Veyne: “Por isso, em certo momento, ele poderá afirmar que ‘a ideologia não existe’” (Escolher a Montanha, pg.41, 2005)



UNIFORMIZAÇÃO GAY: E A TAL DIVERSIDADE?


Não obstante as declaradas intenções libertadoras da militância gay, um olhar mais apurado não deixa escapar uma ideologia normatizadora que norteia tal militância. Luiz Mott, do Grupo Gay da Bahia, diz, conforme explicita a segunda reportagem:


“(…) que morreu de vergonha quando a família de seu namorado assistia à novela e “apareceram as bichas velhas, desmunhecando, fazendo tiranias e baixarias”. “Essa é a imagem que o povo tem da gente, e lutamos para que nos vejam como somos, homens que gostam de homens e não malucas desvairadas caricatas”. Acusado de “fundamentalista”, por querer processar o autor de televisão, Mott responde perguntando: “Defender nossa dignidade é fundamentalismo GLBT?”


Este discurso deixa claro, de forma deveras impressionante, que a fala militante neste caso prevê regras de conduta, modelos de comportamento e normatizações para o “ser homossexual” (“ser” enquanto verbo e não substantivo, vale salientar). Fica evidente, na fala de Mott, que um sujeito pode ser homossexual, contanto que não seja uma “maluca desvairada e caricata” (leia-se: afeminado) e, ao que parece, ser “velho” é também um demérito, e não uma condição natural e inevitável da biologia. Tal discurso não dá espaço para a invenção da homossexualidade a partir de um ativismo constante e auto-questionador, conforme nos propõe Foucault. Existe, para Mott, uma forma ideal de ser homossexual, uma forma que, justamente por ser idealizada, exclui terminantemente uma realidade: efetivamente, existem homens homossexuais afeminados, quer goste disso ou não Luiz Mott. É importante salientar que a vergonha que Mott diz sentir está atrelada ao olhar dos heterossexuais sobre a cena: ele não sente vergonha por ver a cena, ele sente vergonha quando a família (heterossexual) a assiste, ou seja, ainda necessita da aprovação do status quo heterossexual do qual ele diz ser liberto. “Lutar para que nos vejam como somos” só faz sentido se esta luta incluir, conforme salienta Foucault, a diversidade, e também a liberdade criativa para que nos inventemos continuamente, criando novas formas de relações e de “ser”. Qualquer tentativa de uniformização não passa de trocar um modelo de regras por outro: no caso, troca-se o modelo normativo heterossexual por um modelo normativo homossexual completamente infectado pela misoginia e pelo machismo. E o que significaria “nos ver como somos?”, afinal de contas a pluralidade prevê incontáveis “jeitos de ser”, alguns inclusive que nem foram inventados ainda. O discurso militante subentende que existe um “como somos” universalmente válido para os gays do norte, do sul, do leste e do oeste.

Em sua entrevista intitulada “De l’amitié comme mode de vie”, concedida a R. de Ceccaty, J. Danet e J. le Bitoux para o jornal “Gai Pied” em abril de 1981, Foucault chama a atenção para o problema da construção da identidade homossexual. O problema, segundo Foucault, não reside no questionamento “quem sou eu?” (autoconhecimento), e sim na seguinte questão: quais relações podem ser estabelecidas, inventadas, multiplicadas, moduladas através da homossexualidade? Foucault, aqui, enfatiza a importância do “cuidar de si” sobre o mero “autoconhecimento”. Que se destaque aqui a importância do termo “invenção”, ponto chave para o entendimento do pensamento foucaultiano. A prioridade não está numa descoberta de “quem sou”, e sim uma responsabilidade ética de se inventar, se reinventar, como num devir-gay. A vida como uma obra de arte.

Deleuze, no que diz respeito à concepção da vida como uma obra de arte, salienta que a constituição dos estilos de vida (podemos aqui nos referir aos estilos de vida gay) não é somente estética, é também uma ética, por oposição à moral. Deleuze detalha esta diferença em sua entrevista a Didier Eribon:


“(…) A diferença é esta: a moral se apresenta como um conjunto de regras coercitivas de um tipo especial, que consiste em julgar ações e intenções referindo-as a valores transcendentes (é certo, é errado…); a ética é um conjunto de regras facultativas que avaliam o que fazemos, o que dizemos, em função dos modos de existência que isso implica.” (Deleuze, “A Vida como Obra de Arte”, entrevista concedida ao jornal Le Nouvel Observateur, em agosto de 1986)


A partir desta diferenciação entre ética e moral, não nos passa despercebido, diante da ação e idéias dos gays, que eles – tanto quanto qualquer heterossexual - parecem estabelecer uma moral, um manual de regras de como os gays devem ser e se portar, de que é certo ser um gay deste modo, mas é errado ser de outro modo (ser afeminado; ser espalhafatoso). Isso fica evidente nos preconceitos existentes dentro dos próprios guetos, e na repulsa a manifestações estéticas femininas dentro dos meios e paradas gays hipermasculinizadas. O discurso militante enfatiza continuamente “que os gays devem ser vistos como pessoas de respeito”. Mas o que isso significa? Qual é a “vontade” de verdade suposta por um discurso que se impõe como “verdadeiro” e que esse discurso só pode ocultar?

Podemos ir além: não seriam os guetos gays verdadeiros internatos, meios de confinamento? Os próprios homossexuais parecem “se internar”, na medida em que consideram, para usar um termo coloquial, “uma queimação de filme” a demonstração de afeto homoerótico fora de lugares que não sejam considerados “apropriados”.

O DESPREZO AOS PASSIVOS E A NORMATIZAÇÃO HOMOSSEXUAL


É curioso observar que as críticas de Luiz Mott acerca da afeminação de gays mostrados na TV não é muito diferente das críticas que um homem afeminado sofreria na antiga Grécia. Mott não está só em sua rejeição aos afeminados: é extremamente comum, nos tempos modernos, a afirmação “eu sou gay, mas não sou afeminado e detesto afeminados”. Além disso, saliente-se o fato de que o termo pejorativo “bicha passiva” é amplamente utilizado pelos próprios homossexuais para se referir a outros com sinal de evidente desprezo. Nada disso é muito novo, e quem enxerga a antiga Grécia como um paraíso da diversidade gay, se equivoca profundamente. De acordo com Veyne, em sua obra “A Homossexualidade em Roma”, um homófilo passivo (diatithemenos) era alvo de desprezo e de rejeição, sobretudo por parte do exército. Veyne conta que certa feita um homossexual passivo foi poupado de ser decapitado, porque o imperador não queria que a lâmina do gládio do carrasco fosse conspurcada por tão aviltante criatura. A afeminação masculina era vista pelos antigos greco-romanos como algo desprezível. De modo análogo, muito embora por razões diferentes, os homossexuais modernos parecem sofrer da mesma aversão à passividade sexual masculina. Fica evidente que existe um modelo normativo entre os próprios homossexuais, modelo que se pauta em regras e em “modos de ser” que, longe de criar sujeitos criativos, cria aquilo que Foucault chama de “clones”, ao se referir aos homens de aparência similar nas paradas gays (na época de Foucault, homens com fartos bigodes e óculos Ray-ban; modernamente, homens anabolizados e preferencialmente depilados). Na entrevista “A Amizade como Modo de Vida” concedida ao jornal Gai Pied em abril de 1981, p.39, Foucault usa o termo “clones bigodudos”, para se referir a estes homens “todos iguais”. Estes “clones”, ao contrário de criarem a obra de arte de suas próprias existências, compraram o modelo pré-existente, pré-fabricado, uma identidade de plástico.

O direito à repulsa, ao asco, portanto, é pleiteado como monopólio exclusivo pela militância gay. Se um heterossexual diz ter nojo das relações homossexuais, será prontamente atacado por instituições gay-militantes, será chamado à atenção ou mesmo processado por suposta homofobia. Mas Mott, conforme demonstra a reportagem, não se furta a demonstrar seu asco contra o que ele chama de “bichas velhas que desmunhecam”.

Os movimentos de militância gay demonstraram por vezes diversas uma inclinação totalitária. Ao invés de proteger os homossexuais, lutando pelos justos direitos civis, tais movimentos parecem mais empenhados e ocupados em destruir radicalmente tudo o que, na sociedade, na cultura ou em sujeitos particulares, explicite discordância. A ideologia torna-se uma arma policial delirante que tenta proibir toda divergência de opinião, toda repulsa espontânea, todo pensamento que a desagrade e até mesmo as piadas, que fazem sentido dentro do contexto de uma comédia, peça ou novela. Ao eliminar toda diferença, o que sobra? Uma montanha intransponível de concordância e subserviência à cartilha politicamente correta (e politicamente tirânica, diga-se de passagem). As próprias atitudes públicas dos ditos “representantes dos gays” evidenciam isso. Tais representantes, munidos da mais intensa disposição de perseguir qualquer opinião que contrarie a deles, dizem falar em nome dos gays, mas o que isso significa? Não podemos nos furtar a citar o que Deleuze, em Conversações (p.110) chama de “indignidade de falar pelos outros”. Transportando esta fala para o presente assunto, ousamos perguntar: como alguém que critica homens afeminados, como Luiz Mott o faz, pode se dizer porta-voz de todos os gays? Definitivamente, não. Mott, no máximo, fala em nome de um tipo específico de gay – especificamente aquele que não fere as suscetibilidades dos heterossexuais, comportando-se de um modo domesticado, padronizado, que permita que os gays sejam vistos “como pessoas de respeito” – uma priorização à moral, mas não uma ética. A dignidade de não falar pelos outros deveria ser parte do intelectual, para Deleuze, que denuncia em Conversações (p.110): sempre que alguém diz “ninguém pode negar”, “todo mundo há de reconhecer que”, eis uma mentira ou um slogan. A proposta deleuziana-foucaultiana é a de que cada um fale em seu próprio nome. Não devemos falar em termos de valores universais, mas em nome de nossa própria competência e situação.Se o grupo não é multivocal, onde está a ética? Guatarri, com quem Deleuze trabalhou por diversas vezes, enfatizaria a idéia de “transversalidade”, por oposição aos grupos hierarquizados onde temos um que fala em nome de todos os outros.

MILITÂNCIA GAY VERSUS MILITÂNCIA DA DIVERSIDADE


Uma cultura homossexual, para Foucault, deveria possibilitar instrumentos para a polimorfia, a variabilidade, a diversidade, evitando uniformizações e estabelecimento de regras de conduta. A simples idéia de “programas” e “proposições” estabelecidas por uma autoridade institucional, ainda que gay, feita para gays, é um perigo, pois na medida em que um programa se apresenta, ele estabelece uma lei, um mandamento, e isso bloqueia o fluxo da livre invenção. Neste sentido, Foucault é categórico ao afirmar que qualquer programa deve ser vazio (Da Amizade Como Modo de Vida, jornal Gai Pied, p.38-39). Na medida em que cavamos a história, descobrimos como as coisas foram historicamente contingentes, mas não necessárias. Qualquer coisa que seja estabelecida como uma necessidade homossexual deve ser peremptoriamente negada, pois o que existe (ou o que já existiu) está longe, muito longe de preencher todos os espaços possíveis.

O corpo da multidão gay aparece no centro do que poderíamos chamar, retomando uma expressão de Gilles Deleuze, de um trabalho de “desterritorialização” da heterossexualidade. Uma desterritorialização que afeta não apenas o espaço urbano, como também o espaço corporal. Este processo de “desterritorialização” do corpo implica uma resistência ao processo de chegar a ser “normal”. O fato de que haja tecnologias precisas de produção de corpos “normais” ou de normalização dos gêneros não acarreta um determinismo ou um fracasso da possibilidade de uma ação política. Uma vez que os gays trazem consigo como resíduo a história das tecnologias de normalização dos corpos, eles também detêm a possibilidade de intervir nos dispositivos biotecnológicos de produção de subjetividade sexual.



Identificações de teor pejorativo como “sapatonas” ou “bichas” se converteram em lugares de produção de identidades de imensa importância, que resistem à normatização, que desafiam o poder totalitário, das chamadas constantes à “universalização do modo de ser gay”, quer os gays normatizados gostem disso ou não.

Influenciadas pela crítica do período pós-colonial, as teorias gays dos anos 90 têm utilizado os enormes recursos políticos das identificações de “gueto”, identificações que iriam ter um novo valor político, dado que pela primeira vez os sujeitos do enunciado eram as próprias “sapatonas”, as “bichas de jeito tresloucado” de quem Mott não gosta, os negros e os transgêneros. Ainda que muitos insistam numa “guetização” normatizadora, os movimentos e as teorias gays respondem com estratégias ao mesmo tempo hiper-identitárias e pós-identitárias. Fazem um uso radical dos recursos políticos da produção performativa das identidades desviadas. Destacamos, por fim, a força de alguns poucos lugares específicos, como a boate “A Lôca” de São Paulo, um espaço com decoração inspirada em deuses e seres mitológicos somados a ícones do universo sadomasoquista. “A Lôca” é referência underground em São Paulo e recebe um público que ilustra a diversidade e o respeito às diferenças identitárias, sem preconceitos: ao lado de homens gays musculosos, dançam travestis, “bichas velhas”, bissexuais, lesbian chics, “sapatonas”, góticos, e até mesmo heterossexuais sem preconceito. Internacionalmente, a força de movimentos específicos como as Radical Fairies, grupo que representa as “bichas loucas” nos EUA, deriva de sua capacidade para se utilizar de suas posições de sujeitos “abomináveis” (esses “maus sujeitos”, segundo os próprios gays normatizados) para fazer disso lugares de resistência ao ponto de vista “universal”, à história branca, colonial e machista do “humano”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LIVROS

VEYNE, Paul. A Homossexualidade em Roma. Trad. de Ana Paula Faria. Editora Terramar, 1998.

MUÑOZ, Yolanda Glória. Escolher a Montanha – Os Curiosos Percursos de Paul Veyne. Associação Editorial Humanitas, 2005.

DELEUZE, Gilles. Conversações. Trad. de Peter Pál Pelbart. Editora 34, 1992.

FOUCAULT, Michel. História da Loucura. Trad. José Teixeira Coelho Neto. Editora Perspectiva, 2007.

WEINBERG, George. Society and the Healthy Homosexual. St. Martin’s Press, New York, 1972.

ARTIGOS

FOUCAULT, Michel. “Da Amizade como Modo de Vida”, jornal Gai Pied, abril de 1981, p.38-39, tradução de Wanderson Flor do Nascimento. Disponível na internet em

VEYNE, Paul. “O Último Foucault e sua Moral”, 1985, p.933-941, tradução de Wanderson Flor do Nascimento. Disponível na internet em

NORTON, Rictor, A History of Homophobia, “1 The Ancient Hebrews”, 15 de Abril de 2002. Disponível na internet em http://www.infopt.demon.co.uk/homopho1.htm.


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Link do artigo original:
http://devir.wordpress.com/2007/11/06/militancia-e-ativismo-a-problematica-homossexual-em-foucault-deleuze-e-veyne

sábado, 19 de julho de 2008

Dercy, ímpar e secular!


Ao alto de seus mais de 100 anos, a incomparável Dercy Gonçalves deixou o mundo dos mortais no seu mais típico estilo: irreverente e surpreendente.

Ela foi a um bingo clandestino na sexta, entrou de madrugada no hospital fazendo barraco, e faleceu algumas horas depois. Sem aviso prévio, num sábado qualquer, como seu último despeito frente a todos que já acreditavam que ela seria eterna.

Nascida em Santa Maria Madalena, ela foi a filha mais excêntrica da cidadezinha e parece ter feito jus ao estigma do nome de sua terra natal. Presenciou um século de história, e sempre foi a personificação da controvérsia, assumida e feliz.



Iniciou sua carreira artística antes do nascimento da televisão no Brasil, e viveu a época em que, nas palavras dela própria: “artista era igual à puta!”.

Fez história no teatro, tentou ser cantora, participou de mais de 30 filmes, novelas, programas de TV e, principalmente, nunca teve medo da autenticidade!



Aos 83 anos, ela deixou o público boquiaberto com seu topless no desfile da Viradouro. E enquanto os comentários começavam a prever sua aposentadoria, ela continuava arrasando!

Eu acho Dercy uma figura única, ímpar, sem parâmetros de comparação. Por motivos muito diferentes de sua irreverência e deboche.

O que percebo de mais interessante nela não é o fato de ser “uma velha desbocada falando 500 palavrões por minuto em público”, mas o que existiu por trás, o exemplo de autoconfiança, de autenticidade.



Ela nunca teve medo de ser ela, nunca teve medo de ser independente, nunca teve medo de falar o que pensava, independente de pra quem ou de quem fosse.

Enquanto a sociedade ditava seus padrões castradores, ela era uma mulher que fazia tudo ao contrário, completamente livre e sem medo.

Teve a coragem de vivenciar a felicidade, de buscar o gozo da vida sem pedir permissão ou aprovação para ninguém.

Viveu as glórias da beleza da juventude e soube envelhecer com todo o glamour e irreverência que lhe eram peculiares.



Fez história, chegou ao centenário exatamente a mesma: erguendo o dedo médio para os críticos e cheia de energia!

Hoje, ela deixou essa brincadeira chamada “vida terrena” e no rastro de sua ausência ficará o exemplo.

Afinal, como dizia Dercy no final de seus shows:
“Quem gostou ótimo, quem não gostou que vá se foder!”